quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Járdeson

Sentado no táxi, no caminho de volta da minha despedida, distraído com o frio da noite e com a conversa animada no banco de trás, eu me deixei ser tomado por uma idéia súbita, que como todas as idéias brilhantes, chegam de lugar algum, e tomam conta. Eu pensei “Como teria sido se... eu tivesse crescido com o Járdeson?” Ele é do tipo de amigo certo que eu não tive. Esses nerds calados, que jogam futebol e tem bom humor. Que não bebem, não falam muito palavrão, não usam droga (né?) (brincadeira). Como seria ter sido vizinho dele na infância? Ir pra mesma escola, estudar a mesma coisa, namorar irmãs gêmeas (“NÃO!”, diz Glenda Ione). Então essa imagem legal foi se formando na minha mente, e eu estava silenciosamente feliz com tudo... até que gradualmente voltei à realidade, pra perceber que... Não... nada disso nunca aconteceu, nem vai acontecer mais... Nós crescemos separados, e fomos ainda mais separadaos nesses últimos dias. Mas... as coisas sempre acontecem da forma que tem que acontecer. Nesse mundo de tanta gente, de tantas coisas, entre tantos lugares, nós ainda nos encontramos. No terceiro ano, estressados com o vestibular, e nunca falamos um com o outro antes do fim das aulas, mas mesmo assim, tendo acontecido da forma que aconteceu... ele é um dos maiores amigos que eu ja tive. E eu realmente AMO ele de coração. E admiro e apoio e tento ajudar de todas as formas que eu puder. Por fim, volto a uma coisa que eu disse há um ano atrás. Ninguém pode voltar atrás e fazer um passado diferente, mas qualquer pessoa pode começar hoje a fazer um novo futuro...
Amigos para siempre, la laya laya laya.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Sogno

Since I arrived to Venice last month, I’ve insistently had dinner in this very same ristorante nestled in the enchanted Piazza San Marco. It seems almost impossible for me to believe that a World inhabited by sorrow and ugliness really exists out there, while during the past days I have been surrounded only by these canals, this night breeze, these lights, these flavours, this beauty, you know… Venezia.
However, lately I have been experiencing the taste of exasperation that has also come along with Venice. Every single evening, since my first one here, I leave the hotel when the night begins to take over the sky. Amongst all the words that I know, in all the various languages I ever learned, I cannot think of one that could precisely express my dazzle in the face of the Veneziano sunset. Prodigio soprannaturale, the locals call it. And the setting sun watches me from the sky every day, while I march through the stony buildings to take a gondole that will lead me to the same ristorante of yesterday. I go there to take my daily doses of melancholy.
I always take a seat in the left corner of the saloon, where the lights are even lower. Nobody in the room can see my face while I drink my glass of red wine and stare profoundly at her. I don’t know her name. It’s the brunette singer that embellishes the dinner singing slow, ancient Italian songs. I think of her as Cantante, but this is only the word “singer” in Italian. She is such a perfect synthesis of the entire climate in Venice. So charming and melancholy. Sitting here, when I close my eyes, I can picture the two of us standing, embracing each other in Rialto Bridge. Then I wake up to realize she might not even know that I am here.
When dinner is over, person by person, everybody leaves the ristorante, but I rest there until the place closes. That’s my brief moment of intimacy with Cantante every night. I sit in the shadows and watch her singing all by myself. I know in my heart, or so I wish, that she is signing directly to me, enchanting me with her strong voice. Then the time to go away comes. And there I go, night after night, alone in the late, cold Venezia. Maybe she doesn’t know that I exist…

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Bichos

Fiquei horrorizado hoje na hora do almoço. As aulas começaram essa semana, e eu admito que estive com saudade do clima no Restaurante Universitário (vulgo RU) durante as férias. Pois bem, depois das aulas, que não aconteceram, pois não há aula na primeira semana de aula, fui ao RU com minha gangue de veteranos, meu amigos da faculdade… veteranos, sabe? Nós estamos no segundo ano agora, sim, somos veteranos. Enfim, fomos ao RU, nós os veteranos.
Ao chegar no portão de entrada me deparei com a fila quilométrica para os balcões. Haja vista que RU não é RU se não tiver fila. Filas são inerentes à figura dos RU’s, meus caros. De norte a sul e de leste a oeste neste país-tropical-abençoado-por-Deus-bonito-por-natureza-que-beleza você, de certo, encontrará filas nos RU’s das Universidades Federais. Fato. Enfim, cheguei à fila. Em alguns meses do ano, geralmente as conversas que se ouve nas filas do RU (quando não a vida alheia) são assuntos dos cursos: “você já leu esse livro?”, “às duas tenho aula de psicologia da aprendizagem”, “o código penal é claro sobre assunto”, “isso é coisa do capitalismo, companheiro!”. Imaginem meu terror ao chegar ao RU e me deparar com uma invasão de pessoinhas desconhecidas falando sobre “acertei só uma de matemática, mulher”, “e aquela outra, jurava que era a opção C”, “minha mãe vem me pegar depois da aula”. CALOUROS! Eles me deixaram horrorizado.
Calouros feios, mal-educados. Por aqui chamamos eles de “bichos”. Adequado, somente. Bichos empesteando nossos corredores acadêmicos. Bichos, animais!, lotando filas no nosso Restaurante Universitário. É fácil reconhecer um calouro no meio dos veteranos. Calouros compram camisetas com o nome da Universidade e andam pra cima e pra baixo com elas. Mentalidade de ensino médio, como se vê. Uniforme, bichos?! Não há uniforme no Ensino Superior, bichos!! Odeio vocês.
Eu mencionei que ano passado foi meu primeiro ano na faculdade? De qualquer forma, sou veterano.

Banmal

I am in love. Again. Essa é uma verdade que me deixa tão confuso que eu sequer consigo absorvê-la no meu próprio idioma. Pois é, Eumesmo, você está apaixonado, seja lá o que isso significa…
Eu tenho uma pálida impressão do que signifique amar de verdade. Não sei se estou certo, mas eu diria que, pelo menos pra mim, estar apaixonado é querer fazer as coisas que eu quero. Uma coisa que sei é que me dou muito bem comigo mesmo. Raramente sinto vontade de dividir meu espaço com qualquer pessoa. Então estar apaixonado é isso: disposição para ceder o lugar vago ao meu lado, e passar o dia sentados juntos, ou caminhando nos meus lugares preferidos, conversando sobre nossos sonhos, ou não conversando nada, só olhando um para o outro, ficando impressionado com o formato dos olhos, e o movimentos dos pés ao andar, ou da boca ao falar. Estar apaixonado é isso… é admitir que por mais que eu sempre tenha preferido sentar sozinho neste banco para ver o sol se escondendo devagar dentro do mar e transformando o céu azul em vermelho, e lentamente em escuro… hoje, apaixonado, não seria problema nenhum dividir esse momento com ela. Seja sincero comigo, Eumesmo, a verdade é que você adoraria que ela estivesse aqui.
Há um breve post-scriptum: Um dos versos mais tristes que já ouvi, criado por Marcelo Campelo, reza “caberá ao nosso amor o ‘eterno’ ou o ‘não dá’… pode ser cruel a eternidade”. Ele me lembra de que o amor nem sempre é só beleza; existe essa espécie obscura de amor: o "não-correspondido". Mas não quero pensar nisso aqui... não agora que o sol finalmente mergulhou por inteiro no mar…

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Farfalla

Começo perguntando se faz algum sentido estar tão ligado a uma pessoa que você conhece há poucos dias e com quem convive tão pouco. Não faz. Agora, pergunte se eu ligo. Não ligo. O fato é que existe essa garotinha internacionalmente famosa, que mora tão longe de mim e que entrou na minha vida com a rapidez de um e-mail enviado em alta prioridade. Este mesmo e-mail era o que contava sobre uma tal garotinha que havia sido selecionada para representar nada menos que a juventude do planeta Terra em um evento de gente grande (o pouco-importante Fórum Econômico Mundial) na Suíça.
Pensei comigo mesmo que seria interessante conversar com a tal garotinha de vez em quando… tentar adicionar conteúdo aos chats nas madrugadas, sabem?, discutir os acordos diplomáticos dos países emergentes, ou tentar encontrar a solução para os problemas sociais no Brasil… portanto imaginem minha reação ao me deparar com a criativa “função pergunta-aleatória” criada pela garotinha, que na noite passada estava me obrigando a adivinhar a cor do esmalte nas unhas dela, e depois perguntando o que eu tinha comido no almoço e então me contado sobre a chuva na cidade dela. Minha reação foi “ah, fala sério que além de tão inteligente ela também tem bom humor? É demais”. Mas no caso desta garotinha, não… não é demais. Adicione ainda “ela é mesmo tão sincera, companheira e tem essa voz tão linda?” Sim, pois é!
Diante dessa admiração hipnotizante que a garotinha exerce sobre mim, estive em casa hoje desesperado, gritando com todos à vista, estressado e indeciso sobre o que lhe dar de presente por seu aniversário nada sugestivo bem no Valentine’s day. Primeiro, eu nunca entendi direito qual é a desse feriado, e não sei ao certo quem podemos chamar de valentine. Vou confiar no conselho de um amigo muito sábio que me explicou que “o Valentine’s day, na verdade, você comemora com aquelas pessoas que te fazem feliz”, portanto, nada mais verdadeiro do que dizer que a garotinha é minha valentine.
Ok, garotinha valentine, meu presente de aniversário para você é dizer algumas verdades que venho descobrindo ultimamente: você me faz feliz! Eu já tinha dito isso? Talvez sim. Outra coisa… eu sou seu fã. Isso eu definitivamente já disse (mas só em três idiomas, ainda me faltam dezessete). E eu amo você. Essas três palavras eu já disse? Mais uma vez para não esquecer: Eu amo você! Eu li um verso uns tempos atrás, e por fim, vou deixá-lo aqui caso você se interesse em entendê-lo qualquer dia: “La farfalla non conta gli anni, ma gli istanti: per questo il suo breve tempo le basta".

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Porco-espinho

Schopenhauer, um filósofo pessimista, tinha uma teoria sobre os relacionamentos humanos que se trata de porcos-espinhos. Ele usava isso como uma metáfora. O que ele disse é que no amor, e nos relacionamento seja com familiares, cônjuges ou amigos, nós, todos nós neste mundo, de tanto nos sentirmos desconfortáveis com nossas emoções, nós somos como porcos-espinhos que saem numa noite fria de inverno. Eles sentem frio e então se amontoam em busca de calor. Eles anseiam por proximidade, por calor, e ficam bem juntos. Assim eles machucam uns aos outros - porque eles têm essas espinhos horríveis. É tão doloroso que, a fim de evitar a dor, eles recuam. E ficam com frio de novo... portanto eles se juntam… e começam a se espetar, eles se afastam… então vem o frio... e eles se reúnem. Essa dança da intimidade é o que define nossos relacionamentos. Existe essa necessidade de estar perto, que depois se transforma nessa necessidade de estar separado, para se proteger do sofrimento inevitável de quando se está muito próximo. E Schopenhauer, na verdade, não tinha solução para isso. Ele sequer achava que isso fosse realmente acabar, por ver isso como uma ação da natureza humana. Ele sugeria que aqueles que tinham aprendido a gerar seu próprio calor eram capazes de manter uma distância segura dos outros porcos-espinhos; o que não significa necessariamente uma vida de isolamento – trata-se de não se impor às pessoas. Dessa forma você terá esse pequeno espaço onde possa ser um pouco auto-suficiente, para criar o seu próprio calor, seus proprios sentimentos, e para estar perto sem ser pisado. O caminho para isto está perto do segredo da felicidade.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Elefante

Não muito tempo atrás eu estava sentado numa poltrona de avião muito parecida com esta de agora. Um amigo sentado do meu lado me contava sobre suas muitas viagens aéreas, quando me perguntou se eu tinha sentido alguma sensação ruim por conta da decolagem.
“Muita gente fica com dor de cabeça, sabe?”, ele dizia. “Dor de cabeça, zumbido no ouvido, essas coisas… você sentiu algo assim?”.
“Oh, demais!”, eu respondi. Exatamente, demais!
“Mas isso só acontece na primeira vez que você viaja, pode ficar tranqüilo”.
Ele devia não ter a menor noção do que estava falando! O fato é que acabei de decolar de Fortaleza com destino ao Rio de Janeiro, e senti a mesma sensação infernal (talvez pior). Eu explicaria que uma decolagem funciona assim: Você sente o avião correndo sobre a pista a 1000km/h, a aeronave treme pelo atrito com o solo e de uma pra outra o chão se foi, e o avião decolou. Nesta hora, você (eu) descobre que um elefante acabou de entrar na sua cabeça correndo desembestado pelo ouvido. Sinceramente, é isso que acontece comigo. Minha cabeça fica zonza, como se um elefante apertado estivesse tentando se acomodar dentro dela, e meus ouvidos doem por não estarem acostumados a servirem de túnel pra elefantes. Tenho certeza que alguns espertinhos virão me informar que minha cabeça é tão grande que talvez realmente comporte um elefante. Falem sério, por favor!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Teoria

É corriqueiro que pessoas de outros lugares do mundo pensem que em todo o Brasil se encontrará praias fantásticas, sol, brisa, mulheres bonitas e boa música. Então elas chegam ao país e descobrem que foram ludibriadas por suas agências de viagem – por favor perdoem minha sinceridade!, mas essas características de forma alguma se aplicam a todo o Brasil. Não comecem a processar as agências ainda!, eu tenho uma teoria… talvez esta fama tenha se espalhado por aí como sendo de todo o país, porque na verdade ela se refere à primeira cidade do país.
Veja, existe uma cidade no litoral brasileiro que apresenta em abundância todos os requisitos acima. Uma cidade tão linda, que certamente só pode ter sido criada em um momento muito inspirado de Deus. Uma cidade constantemente inundada pelo brilho e calor do sol, refrescada por uma brisa úmida insistente que chega a terra após ter percorrido a imensidão do mar azul. Pois bem, esta cidade se chama, obviamente, Salvador! (Estava esperando outra coisa? Problema seu.)
Pois bem, esta é minha teoria: Ao invadir o Brasil no começo do século XVI, os portugueses desembarcaram primeiro em Salvador, depararam-se com as nativas nuas – que em si já eram belas, mas produziram mulheres ainda melhores depois da mistura com as africanas – correndo pela areia iluminada da praia, sob o sol escaldante. Os lusitanos voltaram à Europa postando em seus facebooks sobre a maravilha que haviam “descoberto”, imaginando que aquela preciosidade de Salvador podia-se achar em todo o país. Dica: não se pode confiar nos portugueses!
Não me entendam mal, não digo aqui que não exista mulher bonita, música boa e beleza natural em outros lugares do Brasil. O que eu digo é: amigos internacionais, não deixem de ir à Salvador quando visitarem ao Brasil; amigos brasileiros, mesmo que vocês morem em cidades lindas (como Fortaleza), vão à Salvador, valerá a pena!