Não muito tempo atrás eu estava sentado numa poltrona de avião muito parecida com esta de agora. Um amigo sentado do meu lado me contava sobre suas muitas viagens aéreas, quando me perguntou se eu tinha sentido alguma sensação ruim por conta da decolagem.
“Muita gente fica com dor de cabeça, sabe?”, ele dizia. “Dor de cabeça, zumbido no ouvido, essas coisas… você sentiu algo assim?”.
“Oh, demais!”, eu respondi. Exatamente, demais!
“Mas isso só acontece na primeira vez que você viaja, pode ficar tranqüilo”.
Ele devia não ter a menor noção do que estava falando! O fato é que acabei de decolar de Fortaleza com destino ao Rio de Janeiro, e senti a mesma sensação infernal (talvez pior). Eu explicaria que uma decolagem funciona assim: Você sente o avião correndo sobre a pista a 1000km/h, a aeronave treme pelo atrito com o solo e de uma pra outra o chão se foi, e o avião decolou. Nesta hora, você (eu) descobre que um elefante acabou de entrar na sua cabeça correndo desembestado pelo ouvido. Sinceramente, é isso que acontece comigo. Minha cabeça fica zonza, como se um elefante apertado estivesse tentando se acomodar dentro dela, e meus ouvidos doem por não estarem acostumados a servirem de túnel pra elefantes. Tenho certeza que alguns espertinhos virão me informar que minha cabeça é tão grande que talvez realmente comporte um elefante. Falem sério, por favor!